Não adianta: por mais que a gente goste de Kubrick, Scorsese, Altman, Woody Allen e outros, the real thing está nos clássicos. E quando eu falo em clássicos, falo em clássicos de verdade, como Hitchcock, Jean Renoir, Fritz Lang e esse sujeito que eu botei aí em cima. Sean Aloysius O'Fearna, mais conhecido como John Ford.
Vi dois filmes dele na semana passada, No Tempo das Diligências e Como Era Verde Meu Vale. São exemplos perfeitos de como as grandes obras não envelhecem, seja qual for o meio. A direção do John Ford é direta, sintética, e ao mesmo tempo carregada de sentimento. Quem vê os filmes percebe a visão de mundo do cara em cada movimento de câmera, em cada enquadramento. Monstro total.
Comprei um livro com entrevistas do John Ford nos EUA, bom demais.
spuldar 00:57
Sexta-feira, Fevereiro 20, 2004
Já coloquei esses palpites pro Oscar no blog do Bittencourt, e agora reproduzo a lista aqui (não quer dizer que eu concorde com os favoritos que eu escolhi):
Filme - Retorno do Rei Diretor - Peter Jackson
Ator - Ben Kingsley (zebra)
Atriz - Charlize Theron
Ator Coadjuvante - Tim Robbins
Atriz Coadjuvante - Renée Zellweger
Roteiro Original - Lost in Translation Roteiro Adaptado - Mystic River Filme Estrangeiro - Invasões Bárbaras
E acho que Cidade de Deus tem forte chance de ganhar o prêmio de Edição.
spuldar 00:44
Segunda-feira, Fevereiro 16, 2004
Putz, Nova York é pra matar. A minha primeira reação foi querer ver tudo de uma vez só, fazer tudo correndo... depois me convenci - ou melhor, fui convencido - de que isso era besteira, mas acho que a minha avidez foi natural (ainda mais pra alguém que nunca tinha ido além de Rivera).
Assim como quase toda cidade turística, NY tem dois tipos de atrações: aquelas genuínas, tradicionais e espontâneas, e outras mais artificiais e forçadas, que nitidamente visam tomar dinheiro da gente.
Dentre estas últimas, obviamente estão o Times Square e os musicais da Broadway. Pra quem está de fora, o apelo visual desses lugares é irresistível. Andar pelo Times Square é sem dúvida um programa obrigatório, mas na 3ª ida o cara já fica meio saturado. E tudo lá é mais caro do que no resto da cidade. Dos musicais, então, passei longe.
Dos programas mais tradicionais, explorar o Village foi disparado o que eu mais gostei. O lugar tem muitas, muitas, muitas coisas pra se fazer: restaurantes pequenos (mas não muito baratos) de cozinhas diversas, livrarias de tudo quanto é tipo, lojas de disco cheias de raridades e abertas até altas horas... e bares. Muitos bares. Servindo de tudo, com todo o tipo de música possível e imaginável.
A Angela e eu escolhemos ir num mais baratinho, o Cafe Creole, escondido num porão da rua McDougal (perto do Cafe Wha?, onde um magrão chamado Robert Zimmerman começou a carreira tocando folk em 1961 - ver foto). A comida era cajun, ou seja, apimentada demais, mas o jazz era bem razoável.
Os museus são algo. O Paulo Francis disse tudo: "Eu queria ser o fantasma do Museu Metropolitano". É isso aí mesmo, lá tem muita coisa fundamental pra ver, e ficar uma semana dentro dele não é suficiente. O MoMA também é legal, mas a sede atual no Queens é muito pequena, então não tem muita coisa (o prédio principal tá em reformas).
Por um erro estratégico, acabamos não indo no Guggenheim. Fica pra próxima... :P
O nosso plano era gastar 50 dólares por dia, cada um. Mas logo ficou evidente que dava pra economizar bem mais (lembrem-se: não ficamos em hotel, nem em albergue). Então, esbanjamos em discos, livros e DVDs, além de uma câmera de vídeo. Entre as aquisições: todas as temporadas do Monty Python (14 DVDs), a caixa The Adventures of Antoine Doinel (5 DVDs), The Pet Sounds Sessions (aba-abu-abi), The Velvet Underground Box Set (dubi-dub-dub). E muito mais...
Mas obviamente o melhor programa em NY é caminhar, conhecer as ruas, topar com lugares legais, sentir como a cidade funciona. No nosso caso, o problema foi o frio de -15°C (sem contar o vento), o que dificultou um pouco essa missão. Na próxima vez, vamos tentar ir em meia estação.
(Publicarei informações sobre Washington na seqüência).